Quatro anos após viralizar, vira-lata 'bonitinho, mas ordinário' vira caramelo em cópia feita por IA: ‘Trocaram até a carinha’, diz tutora
Após cópia feita por IA, donos reivindicam posto de cão ‘bonitinho, mas ordinário’ Quatro anos após viralizar, Zero, o vira-lata "bonitinho, mas ordin...
Após cópia feita por IA, donos reivindicam posto de cão ‘bonitinho, mas ordinário’ Quatro anos após viralizar, Zero, o vira-lata "bonitinho, mas ordinário" virou um cachorro caramelo em uma imagem criada por Inteligência Artificial (IA). Quando viu a foto, que voltou a circular em 2026, a tutora Tamíris Borges percebeu que havia algo errado. O quintal e a frase da placa instalada no portão de casa estavam corretos. Mas, na imagem, o cãozinho era outro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp A fotografia reproduzia o cenário da casa onde Tamíris mora com o marido, Thiago de Morais, no bairro Frei Eugênio, em Uberaba, no Triângulo Mineiro. A placa continuava pendurada no portão, com o aviso “Cão Bravo! É sério! Ele é bonitinho, mas é ordinário”. Só Zero havia sido substituído. No lugar de Zero, aparecia um cachorro caramelo com expressão simpática, criado por Inteligência Artificial (IA). A imagem começou a circular em páginas de humor nas redes sociais. A origem da publicação, no entanto, é desconhecida. “Eu falei: ‘Ah, não. É só isso que estava faltando?’. Trocaram ele por um caramelo falso. Um caramelo de sorriso falso”, contou Tamíris. “Jamais deixaria esse cachorro de sorriso falso entrar no meu quintal”. A tutora, que é publicitária e trabalha com comunicação e redes sociais, logo descobriu que não era um caso isolado. Amigos começaram a enviar publicações com a imagem. Depois, o próprio algoritmo passou a recomendar o conteúdo a ela. “Alguns colegas viram, me enviaram publicações, porque apareceram em páginas grandes, dessas páginas de humor do Instagram. O algoritmo entendeu que eu queria ver aquilo e já começou a chegar aquele monte de cachorro no lugar do meu”, disse. Na esquerda é o cão caramelo feito por IA, na direita o cachorro Zero, o original Reprodução/Redes Sociais O original já era famoso Antes de a Inteligência Artificial entrar na história, Zero já tinha conseguido algo que muitos cães — e humanos — tentam por anos: ficar famoso na internet. Em 2022, Tamíris e Thiago colocaram no portão de casa um aviso sobre o temperamento de Zero. A intenção era simples: evitar que desconhecidos se aproximassem demais. Zero é fofinho, expressivo e carinhoso com a família. Com estranhos, porém, a conversa muda de tom. A placa resumiu a personalidade em poucas palavras: “Cão Bravo! É sério! Ele é bonitinho, mas é ordinário”. A foto do portão foi publicada nas redes sociais e compartilhada milhares de vezes. O que deveria ser apenas uma brincadeira para os vizinhos virou assunto em páginas de humor e outros portais. A fama foi tanta que Zero ganhou até um perfil próprio nas redes sociais. Na época, os donos brincavam que, se a exposição rendesse uma “publi” ou pelo menos um saco de ração, já estaria de bom tamanho. A ração veio de uma marca, em um kit que também tinha patês e biscoitos para o cachorro. Quatro anos depois, a placa voltou a circular nas redes sociais. Só que, desta vez, a internet resolveu dar uma pequena contribuição criativa. E trocou o protagonista. “Gente, trocaram até a carinha dele”, disse Tamíris. ‘O meu quintal, a minha placa e o meu cachorro’ Tamíris não tomou nenhuma medida contra as páginas que compartilharam a imagem. Em vez disso, entrou na brincadeira. Ela publicou um vídeo no perfil de Zero sobre o “caramelo falso” e deixou comentários em algumas das publicações. Segundo Tamíris, nenhuma das páginas respondeu. Uma seguidora, porém, respondeu. E confessou que havia sido enganada. “Eu fui enganada. Como assim? Não era você?”, escreveu a mulher, segundo Tamíris. A brincadeira também abriu espaço para uma discussão mais séria sobre o uso da Inteligência Artificial. Publicitária, Tamíris conta que usa ferramentas de IA no trabalho para reunir informações e ajudar na produção de textos. Para ela, o problema aparece quando a ferramenta passa a reproduzir algo que já existe. Neste caso, o quintal, a placa e o cachorro de uma família. “Poxa, é o meu quintal, a plaquinha fui eu que fiz, o cachorro é meu e alguém achou por bem fazer essa troca”, afirmou. Ainda assim, Tamíris prefere rir da situação. “Eu acho um pouco difícil a gente frear esse movimento. Então a gente faz o quê? Piadas, né?” O cachorro que não deixa a família aumentar Se a IA conseguiu criar um cachorro mais sorridente, há uma coisa que aparentemente ainda não conseguiu copiar: o temperamento do original. Zero completará nove anos em outubro, mas, segundo Tamíris, a idade não trouxe muita maturidade. Ele dorme boa parte do dia, às vezes até babando. À noite, quando os tutores chegam do trabalho, recupera a energia para brincar e passear. “Ele tem energia de um filhote. Dorme o dia inteiro, mas na hora que pega para brincar, vale por três”, afirmou. Com a família, Zero é considerado um cachorro extremamente carinhoso. Com desconhecidos, porém, continua fiel à fama descrita na placa. E não são apenas as pessoas que entram na lista de desafetos. Outros animais também não costumam ser bem recebidos. A família já registrou um vídeo de Zero afastando um cachorro que passava em frente à casa. Segundo Tamíris, a reação é praticamente a mesma diante de qualquer animal que se aproxime. Por isso, apesar da vontade dos tutores de aumentar a família canina, a ideia ainda não saiu do papel. “Ele não deixa. Ele é ordinário”, brincou. Leia também: Selo 'Amigo dos Pets' incentiva doações; saiba quem pode receber Macaca que estendeu a mão para veterinário durante tratamento tinha ‘marcas profundas’ Ex-piloto de avião constrói castelo de 17 metros De uma gaiola para o quintal Zero, Tamiris e Thiago Reprodução/Redes Sociais A história de Zero começou muito antes da placa e da Inteligência Artificial. Tamíris o encontrou em dezembro de 2017, um dia depois do Natal, em Igarapava (SP), onde morava. Na ocasião, ela foi a uma loja de rações para buscar doações para uma organização não governamental (ONG) que cuidava de animais. Ela viu o filhote sozinho em uma gaiola suja, com frio e cheio de feridas. Tamíris havia perdido outra cachorrinha seis meses antes. Mesmo acreditando que o filhote talvez não sobrevivesse, decidiu levá-lo para casa. Zero quando filhote Reprodução/Redes Sociais Zero sobreviveu e ainda cresceu mais do que a família imaginava. “Achamos que ele fosse ficar assim, tipo um ‘fiapo de manga’. Só que, de repente, ele virou um pônei. Hoje ele parece um cavalo”, disse. Em 2021, Tamíris se mudou para Uberaba e levou Zero. Desde então, os dois continuam no mesmo quintal. O verdadeiro ‘bonitinho, mas ordinário’ Tamíris diz não se incomodar com a diversão provocada pela imagem. Afinal, a própria história de Zero nasceu de uma brincadeira. Mas, se puder fazer um pedido às páginas que continuam compartilhando a foto, é simples: dar crédito ao original. “Não custa dar um créditozinho, já que viralizou, já que é o meu quintal”, afirmou. E, na opinião dela, existe ainda uma razão para preferir o cachorro verdadeiro ao caramelo digital. “O verdadeiro é muito mais engraçado. Por quê? Porque é verdadeiro, né? Porque é real.” Cão junto de avô Vanderlei. Tutora diz que ele é uma das cinco pessoas que Zero gosta Reprodução/Redes Sociais VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo
