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Cabo Verde: 1º participação de país africano na Copa fortalece conexão com cidade mineira de mesmo nome; entenda

Participação inédita de Cabo Verde na Copa do Mundo fortalece conexão com cidade de MG A participação inédita da seleção de Cabo Verde na Copa do Mundo...

Cabo Verde: 1º participação de país africano na Copa fortalece conexão com cidade mineira de mesmo nome; entenda
Cabo Verde: 1º participação de país africano na Copa fortalece conexão com cidade mineira de mesmo nome; entenda (Foto: Reprodução)

Participação inédita de Cabo Verde na Copa do Mundo fortalece conexão com cidade de MG A participação inédita da seleção de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026 reforçou uma curiosa ligação entre dois lugares separados pelo oceano Atlântico: o país africano e a cidade de Cabo Verde, no Sul de Minas Gerais. Com cerca de 11,4 mil habitantes, o município brasileiro compartilha o nome com a nação africana e, há anos, desperta o interesse de moradores, pesquisadores e autoridades diplomáticas. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Essa curiosidade sobre o nome compartilhado aparece até em situações do cotidiano. A atendente Mariele Mendes da Silva lembra de uma viagem a Aparecida (SP) em que precisou explicar a existência da cidade mineira. "Conversando com uma mulher, ela perguntou de onde a gente era. Como estávamos em um grupo, respondemos que éramos de Cabo Verde. Então ela perguntou se era Cabo Verde, na África. Nós explicamos que existe também o Cabo Verde de Minas, e ela ficou surpresa", conta. Cabo Verde, cidade no Sul de Minas, tem cerca de 11,4 mil habitantes Wagner Silva/EPTV Para as crianças, a ligação entre a cidade mineira e o país africano também se tornou uma oportunidade de aprendizado. A estudante Lorena Batista dos Santos, de 10 anos, conta que o tema tem sido discutido nas aulas. "Eu acho muito legal, porque a professora já vem ensinando todo mundo sobre essa coincidência entre a nossa cidade e o país da África", diz Lorena. Entre as descobertas feitas pelos alunos estão as diferenças linguísticas entre os dois lugares. Bárbara Mendes Dias, de 10 anos, afirma que ficou surpresa ao saber que o português falado em Cabo Verde é diferente do usado no Brasil. "O português que a gente fala aqui não é o mesmo de lá. O deles é mais parecido com o de Portugal. Até caiu na prova", afirma Bárbara. Cidade de MG divide torcida entre Brasil e Cabo Verde Arte g1 Origem do nome gera debates A origem do nome da cidade ainda é objeto de estudos. Segundo a cientista social Lidia Torres, a explicação mais conhecida pelos moradores está ligada a uma lenda popular que atribui o nome da cidade a um cabo que teria brotado do solo e ficado verde. Outra versão associa o nome à existência de pedras preciosas semelhantes às da África. Pesquisas históricas, porém, apontam uma hipótese diferente. "Com base em fontes documentais, acredita-se que o nome da cidade tenha surgido por causa dos chamados ‘pretos Cabo Verde’, população negra escravizada ou livre que estava presente em grande número na região", explica a pesquisadora. De acordo com Lidia, estudos baseados em registros paroquiais dos séculos XVIII e XIX indicam forte presença da população negra na formação do município. Pesquisas sugerem que mais da metade dos habitantes da região era composta por pessoas escravizadas ou libertas. Origem do nome gera debates Lorena Lemos/g1 Sul de Minas Apesar da coincidência com o nome do país africano, a pesquisadora alerta que não é possível afirmar uma ligação direta entre a origem da cidade mineira e o arquipélago localizado na costa oeste da África. Isso porque Cabo Verde foi um importante entreposto do tráfico atlântico de pessoas escravizadas. Muitos africanos que passavam pelas ilhas antes de serem enviados ao Brasil acabavam identificados genericamente como "caboverdes", independentemente de sua verdadeira origem. "Não dá para afirmar que os escravizados presentes na região vieram de Cabo Verde. O que podemos dizer é que existe uma relação histórica entre a cidade e a população negra, escravizada ou livre, que ajudou a formar o município", afirma. Lidia também destaca que a região formada por Cabo Verde, Muzambinho (MG) e Guaxupé (MG) possui uma forte ligação com a história dos quilombos no Sul de Minas. Segundo ela, a área integrou territórios associados ao Quilombo do Campo Grande, destruído durante expedições coloniais. "Talvez conheçamos pouco sobre a origem do município justamente porque houve perseguição e apagamento da população negra que vivia nessa região", finaliza a pesquisadora. Embaixador vê oportunidade de aproximação Embaixador cabo-verdiano esteve em Cabo Verde (MG) para discutir as relações entre os lugares homônimos Prefeitura de Cabo Verde Em entrevista ao g1, o embaixador de Cabo Verde no Brasil, José Pedro Máximo Chantre D’Oliveira, afirmou que a classificação para a Copa representa uma oportunidade de aproximar ainda mais os dois lugares. "Essa qualificação dá uma visibilidade global ao meu país. O futebol tem esse enorme valor de aproximar os povos, e já estamos sentindo o calor humano dos brasileiros em relação à nossa seleção", afirmou. O diplomata conta que já conhecia a existência da cidade mineira antes mesmo de assumir o cargo. Em 2024, ele visitou o município para conhecer de perto a história local e discutir as possíveis origens do nome compartilhado. "O que mais me chamou a atenção foi a fraternidade das pessoas em torno desse nome. Nós somos cabo-verdianos e eles são cabo-verdenses, mas em torno da mesma designação". Após a visita do embaixador, surgiram conversas sobre possíveis projetos de intercâmbio e até um acordo de geminação entre Cabo Verde, no Sul de Minas, e uma cidade do país africano com características semelhantes, segundo o prefeito Claudiomir de Souza Palma (MDB). "Já começamos a conversar sobre isso. Ele está estudando uma cidade em Cabo Verde que tenha características parecidas com as nossas para que possamos construir esse intercâmbio", afirma o prefeito. Uma Copa, duas torcidas Cabo Verde mineira entra no clima da Copa e adota seleção africana como segunda torcida Karuncho/Estúdio Sonora Nos últimos dias, crianças, pais e comerciantes se reuniram para pintar bandeiras do Brasil e de Cabo Verde nas ruas da cidade. A iniciativa surgiu a partir de um projeto organizado pelas sócias de um bar na praça central, que decidiram transformar o espaço em ponto de encontro durante o Mundial. Segundo a empresária Laís Podestá, uma das organizadoras da ação, dezenas de crianças participaram da pintura. "Foi lindo ver a praça cheia de famílias e crianças empenhadas", relembra. Entre os participantes estava a publicitária Mariana Oliveira, que levou a filha Raquel, de 2 anos, e as sobrinhas Sofia, de 8, e Marina, de 10. Para ela, a iniciativa resgatou uma tradição das Copas do Mundo e proporcionou um momento de convivência entre as crianças. "Elas conheceram outras crianças, aprenderam a compartilhar os materiais, a tinta, a desenhar juntas. Foi um momento muito especial de convivência. Todos brincaram muito", conta. Crianças, pais e comerciantes se reuniram para pintar a rua com as bandeiras do Brasil e de Cabo Verde Kátia Melo A empresária Jacira Itelvina Viana, mãe do João Miguel, de 10 anos, também participou da atividade com o filho e destaca a importância do envolvimento das crianças. "Foi um momento de muita alegria. Acho que muitas delas nunca tinham vivido algo assim. Ficaram felizes por participar, por ajudar a fazer as pinturas e por conhecer um pouquinho dessa história", relata. Além da decoração, a programação prevê a instalação de um telão para a transmissão dos jogos da Seleção Brasileira. Já as partidas de Cabo Verde serão exibidas em uma televisão instalada do lado de fora do estabelecimento. "Como é a primeira participação de Cabo Verde em uma Copa do Mundo, decidimos que a torcida vai para os dois países", afirma Laís. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas